A Berlinale só começa na sexta-feira, mas a guerra por tickets começou hoje pela manhã. Cheguei hoje no Arcaden da Postdamer Platz pelas nove da manhã e a fila já era enorme. Os tickets mais disputados do dia eram pra Metropolis e pra sessão com o vencedor do jurí popular para o Panorama. Bilhetes vendidos em alguns minutos. Na fila pessoas com colchões, cestinhas com café da manhã, vinho, cerveja. Mochileiros, senhoras, estudantes, vi até um punk, tinha um cachorro na fila. Alguns haviam chegado nas primeiras horas do dia. Fotos, câmeras, reportagens. Alemão que conheci na fila se recusa a dar entrevista para a Bild, revista sensacionalista. Não concordo com a ideologia da revista, fala.
Havia feito minha programação inicial na fila com muito sacrifício - difícil encaixar tanta coisa, entretanto, quando restando 10 pessoas na minha frente, descubro que ainda não posso comprar tickets para grande parte da programação. Para esses tickets ainda não disponíveis, é preciso comprar três dias antes da sessão. Imagine como será para comprar bilhete pra sessão de gala do novo filme de Scorsese, com di Caprio no elenco. Como tive que refazer o plano em alguns minutos, acabei comprando apenas três ingressos.Os quais foram para Die Fremde, filme que faz parte do Panorama, aborda o tema da imigração na Alemanha e tem Sibel Kekilli no elenco; The Ghost Writer, novo filme de Polanski; e também para um debate sobre o futuro do cinema. Economia, políticas, aspectos sociológicos e arquitetônicos.
Pra quem for tentar comprar ingresso, bom anotar o número de cada sessão num papel e passar para a pessoa do caixa. Passar junto sua carteira de estudante para um eventual ticket reduzido. Outra dica é, para os filmes em competição no Berlinale Palast é possível comprar ingressos pela metade do preço meia hora antes da sessão. Dependendo do filme, possa ser que sobre ingresso no dia. Ingressos entre 7 e 11 euros. Mês de Berlinale é mês sem comer direito. Economizar na feira para ver filmes. Viva a batata, o macarrão e cerveja de 30 centavos!
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8.2.10
21.1.10
Kino
Em Berlim são mais de 100 cinemas pela cidade, com mais de 285 salas de projeção e 9,1 Mi de frequentadores. Dados de 2007 da FFA - Filmförderanstalt, fundação que estuda toda a cadeia produtiva cinematográfica da Alemanha. Mais impressionante que os números, são os cinemas em si. Em sua maioria, cinemas de rua, com no máximo 3 salas, as quais não são muito grandes. É possível ver qualquer filme em Berlim, a programação chega a ser cansativa. É impossível estar presente em tudo. Gosto muito do Babylon Kino, onde sempre tem programações especiais, como cinema mudo uma vez por mês e novos filmes alemães nas quintas, sempre com a presença dos diretores e elenco. O outro cinema que gosto bastante é o Kino International, bloco de cimento quadrado na Karl Marx Alle, projeção Cinemascope, som perfeito. Cinema lindo por dentro, a cafeteria e a sala de projeção são fantásticas. Em Berlim acontece todo ano a Berlinale. Dos maiores festivais de cinema do mundo.Tem um estúdio de gravação em Babelsberg onde já foram filmados grandes produções como, O Pianista, O Jardineiro Fiel, Speed Racer, etc. Também são várias as instituições que estudam e trabalham com o tema na cidade, FFA, Medienboard e Kulturinitiative. Nesse contexto, Berlim concorre para ser a Cidade do Cinema da Unesco.
13.1.10
Nosferatu
Terça-feira à noite, Babylon Kino, Rosa-Luxemburg-Platz, muita neve, temperatura negativa. Fila enorme na frente do cinema para assistir Nosferatu com piano e coro. Depois de muito esperar, conseguimos entrar. Lá dentro só tinha lugar no chão. Sentamos, tiro os sapatos. Assim que começa o primeiro ato, abro o vinho que havia levado. Essa combinação, vinho e cinema é incrível. Na Alemanha se pode beber em qualquer lugar, país boêmio. E que lindo é, ver cinema lotado, sem mais lugar pra sentar, gente sem conseguir entrar, aquele ambiente de cinefilia, a expectativa para as cortinas se abrirem e o filme começar. Ontem os organizadores ficaram admirados com tanta gente e agradeceram por termos comparecido. Nós que agradecemos por manter bem vivo o expressionismo alemão.
Não quero aqui escrever sobre o filme. Seria muito pra mim escrever sobre. Nunca havia visto Nosferatu, com exceção do começo do primeiro ato. Fiquei impressionado com a variação das saturações do filme. Nunca havia visto isso num filme monocromático. A cena onde aparece a sombra enorme do vampiro abrindo a porta para atacar a mocinha é de dar arrepios. Está aí a assinatura de obra expressionisma alemã.
No final, aplausos entusiásticos. Pro filme, pro coro, pro pianista? Muitos aplaudiam de pé.
Garrafa de vinho vazia.
Não quero aqui escrever sobre o filme. Seria muito pra mim escrever sobre. Nunca havia visto Nosferatu, com exceção do começo do primeiro ato. Fiquei impressionado com a variação das saturações do filme. Nunca havia visto isso num filme monocromático. A cena onde aparece a sombra enorme do vampiro abrindo a porta para atacar a mocinha é de dar arrepios. Está aí a assinatura de obra expressionisma alemã.
No final, aplausos entusiásticos. Pro filme, pro coro, pro pianista? Muitos aplaudiam de pé.
Garrafa de vinho vazia.
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